Edição 442 (02/05)

 

“A ilusão do ecumenismo”

O editorial desta edição foi a transcrição de um diálogo entre Mino Carta e Jean-Paul Lagartine, um personagem criado pelo jornalista Justino Martins para fazer seus comentários sem sofrer repressões nos tempos da ditadura. O assunto é a indicação de Roberto Mangabeira Unger para a Secretaria de Ações de Longo Prazo do governo federal.

Em determinado ponto da conversa, Lagartine sustenta que Lula não é mais ameaça à elite do país, e sua política já provou dar suporte ao funcionamento da estrutura social vigente. Lagartine também comentou acerca da administração do petista. “Acho que o presidente está empenhado em construir uma base ecumênica para o seu governo. (…) Ele insiste no ideal de paz e consenso, vagamente messiânico”. A julgar pelos trabalhos do Congresso, em que aliados e oposicionistas de Lula praticamente tem chegado a consensos, vemos mesmo um governo centrado em moderar conflitos, sem oposição.

 

“Por ora, livres da classificação”

Um pequeno espaço foi dedicado à polêmica portaria para programas de televisão debatida no Congresso. Para Guilherme Canela, da ANDI, a portaria não caracteriza censura. “A classificação indicativa, convém lembrar, existe em quase todos os países democráticos”.

Portarias desse tipo devem ser analisadas caso a caso, considerando-se a cultura e os valores do povo. Aqui no Brasil sempre será considerada censura toda medida deste tipo, pois as emissoras querem ter a autonomia de veicular o que bem entenderem sem ingerência do governo. A luta pela audiência beira o jogo sujo, e na falta de programas com conteúdo mais importante, vemos o desperdício de recursos na produção do que temos na televisão. A portaria está longe de ser censura.

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