Edição 1954 (11/04)

“O Apagão do governo”

O editorial traz uma análise da crise aérea ocorrida no começo do mês de abril. O autor critica o governo pela demora em deferir ações para evitar a confusão nos aeroportos. Para Marques, “é o governo que está em apagão, sem ação”. Ele alega que o governo não levou a reivindicação dos controladores a sério, evitou o assunto por crer que a crise fosse esquecida ao acaso, e por isso não soube agir. Para piorar, o ministro da Defesa, a Agência Nacional de Aviação (ANAC) e a Infraero tampouco souberam lidar com a greve. Marques também critica os controladores, cuja greve considera como um ato de rebeldia.

Marques tem razão quanto a falta de ação do governo. Enquanto os principais aeroportos do país ficavam abarrotados de passageiros com vôos atrasados e cancelados, as autoridades não demonstraram preparo para contornar a crise. De 31 de março, início da greve, até o dia 2 de abril, o país vivencia uma situação vergonhosa. O governo cedeu às reivindicações, tentou negociar, e depois acabou voltando atrás quando a mídia começou a acusá-lo de incompetência, visto que os controladores de vôo militares jamais poderiam realizar greve, pois as regras à que são submetidos os impede, e há punição para esses casos.

Marques soube sintetizar os bastidores da crise e sua avaliação parece ter sido seguida pelas autoridades, visto que após a circulação da revista o governo emplacou os controladores.

 

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