“A mídia é sempre aquela. Mas…”
O editor Mino Carta faz um balanço do trabalho da imprensa no país, a qual acusa de ser conivente com interesses políticos e econômicos e que ainda hoje continua a trabalhar desse modo. “No Brasil e no mundo são poucos os órgãos midiáticos que ainda praticam o jornalismo à sombra dos velhos, insubstituíveis princípios de fidelidade canina à verdade factual: exercício desabrido do espírito crítico, fiscalização diuturna do poder onde quer que se manifeste”. Carta tem boa articulação para defender sua opinião e de fato consegue ser convincente.
“Um peso, duas medidas”
Uma decisão do TSE chama a atenção pelo descaso quanto a um esquema de manipulação de votos. Um irmão do senador Expedito Jr, de Roraima, pagou a seus empregados cerca de R$ 100 para que atuassem como boca-de-urna a favor do senador. Descoberto o esquema, a investigação foi iniciada e provas foram encontradas. Mas o ministro Arnaldo Versiani considerou que a ação não foi grave pois os votos dos empregados não poderiam influenciar significativamente a eleição no estado de Roraima, pois a diferença de votos era de 60 milhões. Carta tece uma ironia quanto ao fato. Para ele, há duas categorias de crime eleitoral, a que muda o resultado e a que não muda. É realmente incrível como as ações da justiça incorrem em falta de punição.
“Mordomias investigadas”
Uma reportagem da revista denunciava modormias de funcionários públicos da justiça. A matéria deu início à uma investigação, impetrada pelo Conselho Nacional do Ministério Público à Corregedoria. Duas funcionárias lotadas em Brasília moravam no Rio de Janeiro e, não se sabe como, assinavam ponto e recebiam suas remunerações sem o menor problema. Mas um caso de denúncia e de jornalismo prestativo da revista.